O interesse no impacto social da ciência e na sua contribuição direta para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, tornou-se essencial para instituições e pesquisadores mapearem sua produção acadêmica sob essa ótica. No entanto, é fundamental compreender que as ferramentas utilizadas para esse fim produzem dados interpretativos e heurísticos, e não indicadores determinísticos de sucesso. Este documento apresenta uma análise metodológica comparativa entre duas das abordagens mais influentes da atualidade: o sistema da Elsevier, disponível via Scopus e SciVal, e a metodologia Aurora mBERT, integrada à base OpenAlex.
A distinção entre as bases reside primordialmente em suas filosofias de coleta e curadoria de dados. Enquanto o Scopus enfatiza o controle de qualidade, a auditoria e a integração com ferramentas comerciais de análise, o OpenAlex prioriza a ciência aberta, a interoperabilidade e a inclusão de um ecossistema muito mais amplo de artefatos de pesquisa, como teses, registros de repositórios e preprints. Essa divergência reflete-se diretamente no volume de resultados; em um estudo de caso focado no ODS 2 (Fome Zero) na Universidade de São Paulo, o OpenAlex identificou uma quantidade significativamente superior de objetos de pesquisa em comparação ao Scopus, apresentando uma sobreposição limitada de registros entre ambos.
Além do volume, as bases demonstram vieses disciplinares e linguísticos distintos que devem ser levados em conta por gestores e analistas. O Scopus revela uma inclinação maior para as ciências agrárias e ambientais, com forte predominância da língua inglesa, ao passo que o OpenAlex oferece uma visão mais interdisciplinar, incluindo áreas como saúde pública e apresentando uma cobertura mais abrangente de publicações em língua portuguesa. Essas diferenças mostram que o olhar sobre o que conta como contribuição para um ODS é inerentemente subjetivo e depende da taxonomia aplicada por cada plataforma.
O documento oferece elementos para escolha da fonte, que deve ser guiada pelo caso de uso e não pela ferramenta em si. Recomenda-se o uso do Scopus quando a prioridade for a comparação institucional formal, a transparência de critérios de inclusão e o benchmarking em periódicos consolidados. Já o OpenAlex é a escolha ideal para mapeamentos exploratórios e para a prospecção de temas emergentes, permitindo capturar a extensão real da atividade científica de forma mais inclusiva. Em suma, compreender os pressupostos algorítmicos de cada base é o passo decisivo para garantir julgamentos informados e uma comunicação interna eficiente sobre o desempenho da pesquisa.
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