24 de março de 2026 – É com grande satisfação que o portal do Projeto Métricas disponibiliza a conferência da Professora Helena Bonciani Nader, intitulada “As Métricas para o Futuro da Ciência”. Primeira mulher em 106 anos a presidir a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e com uma trajetória marcada pela presidência da SBPC e passagens pelas pró-reitorias de graduação e pós-graduação, a palestrante traz uma perspectiva singular sobre a evolução e os desafios do sistema científico nacional. Em sua exposição, a Professora Helena defende que as métricas constituem o mais relevante instrumento de gestão da atualidade, permitindo não apenas o acompanhamento do desempenho acadêmico, mas também a identificação de assimetrias regionais e a orientação de investimentos em áreas estratégicas, como a inteligência artificial, sempre sob o compromisso da prestação de contas à sociedade.
Ao longo da aula magistral, discute-se o papel histórico de instituições como CAPES, CNPq e FAPESP na consolidação de uma comunidade científica brasileira respeitada internacionalmente, que hoje ocupa posições de destaque na produção global de conhecimento. Contudo, a palestrante estabelece uma distinção crítica entre métricas e rankings, argumentando que os indicadores devem subsidiar as classificações, mas nunca serem subordinados a elas, uma vez que a missão primordial das universidades transcende posições em tabelas: reside na formação de cidadãos e na produção de saber relevante para o desenvolvimento do país.
A conferência aborda ainda as transformações impostas pela nova geopolítica da ciência, com ênfase na ascensão da China e no impacto da inteligência artificial, que, embora não substitua o cientista, redefine o fazer científico e exige a revisão dos sistemas de avaliação. Helena Nader ressalta que a ciência de impacto demanda tempo, liberdade intelectual e avaliações criteriosas que evitem o desestímulo a pesquisas de longo prazo em favor de resultados imediatos. Ao concluir, a professora reforça que avaliar a ciência é um compromisso coletivo essencial para o planejamento de Estado, sendo imperativo medir o que verdadeiramente importa para o progresso científico, social e econômico da nação.
