Perguntas e respostas

Acompanhando os indicadores e a queda no ranking das universidades paulistas em revistas como a THE. Qual o motivo da queda nos indicadores?

As razões desta queda na classificação de universidades são, em ordem de relevância; a ascensão mais rápida de universidades em outros países com ambiciosas estratégias governamentais de financiamento para ciência e tecnologia (particularmente China, Coreia, Índia, Alemanha), as restrições financeiras impostas ao ensino superior brasileiro e finalmente a necessidade ampliação do número de vagas com recursos humanos e financeiros constantes.

Como resultado e tendo por base as métricas dos rankings, as universidades estaduais de São Paulo melhoraram a cada ano desde 1988, quando a autonomia foi concedida. As universidades publicam muito mais em revistas cientificas, seus artigos estão na vanguarda da ciência sendo mais citados e as colaborações académicas internacionais estão em crescimento. Em complemento, mais graduados e pós-graduados são formados em grande escala, pelo mesmo número aproximado de professores de 30 anos atrás. As classificações internacionais dão a impressão de um sistema em declínio comparado com outros sistemas mais competitivos de ensino superior, mas os números mostram um sistema que obteve enorme êxito no estabelecimento de uma base científica no Brasil.

Cabe finalmente, o registro que enquanto a demografia dos países ao qual o Brasil é comparado permaneceu relativamente constante, a população brasileira passou de 90 milhões para 210 milhões de habitantes em menos de cinco décadas. Um crescimento que foi respondido com a expansão quantitativa do ensino superior com recursos relativamente constantes.

Houve alguma mudança na estrutura acadêmica da universidade que contribuiu para essa queda no ranking? O que podemos concluir desses resultados?

A estrutura acadêmica da universidade procura valorizar a diversidade de áreas de conhecimento o que favorece seu desempenho nos rankings nacionais e internacionais. Com relação aos resultados divulgados no THE de Economias Emergentes, podemos concluir:

  1. A USP, Unicamp e UNESP vêm apresentando melhor desempenho nas pontuações de 2019, se comparados a 2016, mesmo quando a classificação numérica se posiciona abaixo dos anos anteriores.
  2. Esta mesma tendência é encontrada na classificação relativa a “citações”, tanto em termos absolutos quanto em relação a outras universidades de economias emergentes.
  3. Uma redução na disponibilidade de financiamento publico da pesquisa competitiva no Brasil, especialmente em comparação a outras economias emergentes, determina fortes consequências restritivas neste ranking.
  4. A distância entre as universidades de elite chinesas e as universidades brasileiras tem aumentado consideravelmente.
  5. Verifica-se uma destacada presença das instituições dos Emirados Árabes Unidos (UEA), principalmente em razão da significativa oferta de financiamento público.
  6. As universidades chinesas contam com estruturas de políticas públicas mais ambiciosas que incluem expressivos recursos para pesquisa, para contratar professores estrangeiros e para bolsas integrais para estudantes estrangeiros.

O que vem sendo feito para melhorar o desempenho das universidades?

Historicamente, a falta de dados tem inibido a governança pró-ativa. Isso significa que a tomada de decisão carece de métricas para monitorar a qualidade do desempenho acadêmico.

As universidades agora priorizam o uso de indicadores para tomada de decisão e avaliação. Neste sentido, a USP anunciou a implantação de um escritório para a gestão de indicadores, EGIDA, e promove mudanças nos sistemas tecnológicos de captação e disseminação de dados, modernizando-os para colocá-los em linha com os padrões globais.

A Unicamp está empreendendo reformas ambiciosas de suas estruturas internas para apresentar melhores dados que alimentam diretamente o planejamento estratégico, e a Unesp esta implementando seu plano de longo prazo e formou uma comissão multidisciplinar especial para uso e interação com o seu desempenho acadêmico e os rankings.

Qual é a proposta e finalidade do projeto Indicadores de desempenho nas universidades estaduais paulistas?

A melhoria nos rankings não deve ser vista como um fim em si, ou como uma maneira de competir uns com os outros localmente. A partir da análise bibliométrica, sabemos que áreas de excelência em São Paulo (por exemplo, ciências agrícolas, tecnologia de alimentos e odontologia) são compartilhadas entre as universidades. Isso significa que a chave para melhorar a ciência em São Paulo não é competir, mas também cooperar, para assegurar a sinergia necessária para o aprimoramento do sistema de ensino superior.

Estes temas são abordados na obra coletiva Repensar a Universidade apoiada pela FAPESP e publicada em 2018 pela Com/arte. http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/224 O Projeto Métricas reúne pesquisadores das três universidades estaduais para avançar em temas como o uso de indicadores e a participação rankings, pesquisar o que pode ser apreendido de comparações internacionais para o ensino superior brasileiro e como as universidades podem alavancar essas informações para melhorar seu desempenho académico. https://metricas.usp.br/

O Projeto também reúne profissionais das universidades estaduais e da sociedade para elaborar planos estratégicos tendo por referência 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil. Para finalizar, além das suas publicações, de livre acesso digital, o projeto estabeleceu um fórum nacional para planejar e compartilhar experiências entre universidades, favorecendo a colaboração para que todos possam crescer juntos.

Deixe uma resposta