No segundo semestre de 2025, o II Encontro da Comunidade Métricas, serviu de espaço para repensar a missão das universidades no século XXI, além de abordar os desafios relacionados à gestão de dados como fator essencial para melhorar o desempenho acadêmico das instituições.
O II Encontro presencial da Comunidade Métricas reuniu dirigentes das seis universidades públicas do Estado de São Paulo, gestores acadêmicos, o Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação e os integrantes da comunidade Métricas.
Durante o II Encontro, foi ressaltado o valor de fortalecer a Terceira Missão, centrada na transferência de conhecimento, bem como a necessidade de adotar a Quarta Missão, que posiciona as universidades como agentes de resiliência e protagonistas nas proposições de políticas públicas.
A avaliação de rankings internacionais (THE, QS, Leiden) orientou decisões estratégicas, como a saída conjunta das universidades paulistas do THE Impact Ranking, em defesa da equidade sem prejudicar o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Por esse motivo, ficou evidente a relevância dos policy briefs e da divulgação dos planos institucionais desenvolvidos pelos participantes do Curso Métricas.
Boa Leitura !
conferência
As universidades em busca da quarta missão
O Segundo Encontro da Comunidade Métricas, realizado presencialmente na FEA-USP em 10 de setembro, reuniu gestores das principais universidades públicas de São Paulo, além do Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Vahan Agopyan, para debater os desafios da academia no século XXI.

O debate centrou-se na necessidade de compreender e alcançar a sociedade, superando a percepção pública de que a universidade é uma instituição de acesso restrito. Os dirigentes acadêmicos enfatizaram que, embora a universidade continue sendo o local de construção de conhecimento e formação de profissionais, há uma desconexão entre o que a academia realiza e o que a sociedade de fato acompanha.
Um ponto de consenso foi a necessidade de fortalecer a Terceira Missão (transferência intensa de conhecimento e integração com a sociedade) e abraçar a proposta da Quarta Missão: posicionar as universidades como ferramentas de resiliência e fontes confiáveis para a proposição de políticas públicas. A pandemia foi citada como um divisor de águas que mostrou a capacidade de resiliência da universidade e aumentou sua credibilidade e legitimidade perante a sociedade.
Os participantes destacaram a importância da autonomia universitária para o planejamento de longo prazo, a busca pela excelência em todas as suas atividades e a urgência em direcionar a pesquisa para as “dores” brasileiras. O Projeto Métricas, que hospeda este diálogo, é visto como determinante para desenvolver métricas confiáveis para monitorar o impacto das ações universitárias. Por fim, foi aceito que as seis universidades públicas paulistas se unam em ações coordenadas para propor soluções a problemas prioritários, reforçando o papel estratégico da academia no desenvolvimento social, econômico, ambiental e político do país.
reflexão
Uso de IA na pesquisa acadêmica
Aula do Professor Luiz Nunes de Oliveira aponta as potencialidades e as armadilhas no uso de IA no ambiente acadêmico.

Durante o II Encontro da Comunidade Métricas, realizado em 10 de setembro de 2025, o Professor Luiz Nunes de Oliveira apresentou uma análise sobre o uso de Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) na pesquisa acadêmica, tema do artigo publicado na revista Pesquisa “Pesquisadores usam inteligência artificial em tarefas acadêmicas”
O ponto central da palestra foi a dualidade da IA, que, apesar de ter um potencial imenso, exige muita cautela e rigor ético para evitar resultados “desastrosos”.
A análise destacou tanto os benefícios quanto as suas reservas em relação aos LLMs. No lado positivo, a IA oferece gramática impecável, vocabulário vasto, e a capacidade de produzir artigos de revisão da literatura em nível comparável ao de um pós-doutorado. No entanto, o Professor Oliveira alertou sobre os “vícios”: os LLMs podem ser desonestos (inventando referências), glutões (absorvendo dados confidenciais dos usuários) e carregar preconceitos.
Para garantir o uso eficiente e ético, os pesquisadores devem aprender a fazer perguntas muito específicas e bem-estruturadas, pois perguntas gerais geram respostas inúteis. É fundamental ser cauteloso com questões de ética e vazamento de dados confidenciais.
Além disso, a checagem humana da informação fornecida pela IA é sempre necessária. O futuro da gestão de dados universitária envolve sua otimização com IA, integrando-a a informações locais.
G6
Gestão e Governança de Dados: A Construção Contínua da Cultura Universitária
O encontro de representantes de gestão de indicadores universitários abordou o desafio de consolidar a cultura do dado e aprimorar a governança institucional

A inconsistência dos dados representa um desafio central, demandando o estabelecimento de interlocutores em grandes áreas do conhecimento para a validação contínua e consolidando a cultura analítica como um processo permanente. O posicionamento estratégico dos escritórios, integrados à alta administração, é fundamental para a atuação em políticas institucionais e na tomada de decisões, ressaltando que “dado não é informação” até ser transformado para responder questões estratégicas. Com ênfase na inovação, busca-se reduzir demandas operacionais e avaliar o emprego da Inteligência Artificial (IA) em análises preditivas. A gestão de dados constitui uma evolução contínua, sem possibilidade de retrocesso. O Projeto Métricas, reconhecido como impulsionador de mudanças culturais, prevê expandir sua colaboração a universidades sediadas em países africanos de língua portuguesa.
Análises
Times Higher Education 2026
A análise apresenta a metodologia usada pela Times Higher Education, seguida de um panorama sobre as tendências globais que afetam as pontuações e o desempenho das universidades. O relatório detalha os resultados das seis universidades públicas de São Paulo, analisando seus dados e comparando-os com outras instituições de destaque na América Latina. São oferecidas recomendações para a utilização responsável do ranking.
QS Global 2026
O QS Ranking 2026 manteve a metodologia do ano anterior, incluindo no entanto os indicadores de empregabilidade de egressos e desempenho em sustentabilidade. A análise revelou que os critérios “corpo docente/alunos”, “internacionalização” e “sustentabilidade” tiveram pouca influência na classificação, enquanto “citações por corpo docente” e “reputação junto aos empregadores” foram decisivos para mudanças de posição, superando o critério “reputação acadêmica”. Os rankings QS visam orientar estudantes na escolha de instituições de ensino superior.
QS Latin America 2026
O ranking QS Latin America usa critérios diferentes do QS Global para refletir melhor o ensino superior latino-americano. Na análise, são destacadas a metodologia e as instituições mais bem posicionadas, com foco nos indicadores relevantes para universidades públicas paulistas. A metodologia do QS Latam exclui empregabilidade e sustentabilidade, reduz a importância das citações por artigo e aumenta o peso da reputação entre empregadores e rede internacional de pesquisa, o que explica as diferenças em relação ao QS Global.
Leiden Ranking 2025
Este relatório aborda as principais características das seis universidades públicas sediadas no Estado de São Paulo de acordo com o Leiden Ranking. Essa análise trata da evolução de cada instituição desde a primeira edição do ranking, que mediu o desempenho de 2006 a 2009 em comparação ao período 2019-2022. Isso se deve ao fato de que, embora apresentem certas semelhanças, há divergências significativas no perfil e no desempenho das universidades, cuja evolução histórica vale a pena ser analisada.G6
Decisão conjunta das universidades públicas sediadas em São Paulo sobre as novas regras do THE Impact
Universidades públicas paulistas deixam ranking THE pela defesa da equidade
As Universidades Públicas sediadas no Estado de São Paulo – Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – anunciaram uma decisão conjunta de cessar a participação no THE University Impact Ranking a partir de 2026.
Esta medida é uma resposta direta à recente alteração da classificação para Sustainable Impact Ratings, que passou a exigir uma taxa anual de participação. As seis instituições têm um histórico de participação ativa e sistemática no ranking desde sua primeira edição, fornecendo dados relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e alcançando posições de grande relevância, tanto globalmente quanto na América Latina.
Apesar de reconhecerem a importância desta iniciativa e o papel do Times Higher Education (THE) na promoção da agenda dos 17 ODS, as universidades públicas paulistas argumentam que a imposição da cobrança financeira compromete princípios fundamentais.
A decisão se baseia no entendimento de que essa taxa limita a inclusão e a equidade entre as instituições, representando uma barreira particularmente significativa para as universidades públicas, cujo financiamento é determinado pelo orçamento estatal e deve priorizar o acesso e a missão institucional. A cobrança, portanto, entra em conflito com o contexto de gestão pública, em que a alocação de recursos deve ser criteriosamente avaliada em função dos benefícios educacionais e sociais.
É crucial destacar que a saída da classificação não sinaliza um recuo no compromisso institucional com a agenda da sustentabilidade. A decisão é acompanhada pelo compromisso de manter a avaliação institucional responsável e o alinhamento com as metas globais dos ODS por outros caminhos. As instituições indicaram que continuarão a medir seu impacto social e ambiental utilizando metodologias alternativas, mencionando especificamente o Carnegie Elective Classification e o More Than Our Rank.
Dessa forma, as universidades garantem que a defesa da equidade no acesso às avaliações internacionais não prejudicará seus esforços contínuos em prol do desenvolvimento sustentável.
Ainda
Como escrever um policy brief eficaz?
Um policy brief é um documento conciso que apresenta de forma clara e objetiva uma questão de política pública, incluindo análises, recomendações e evidências que suportem um determinado ponto de vista. Geralmente, tem como objetivo informar e influenciar a tomada de decisões de gestores, legisladores e outros atores envolvidos em processos de elaboração de políticas.
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Projeto Métricas – Fapesp 2022/14280-4
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